Vendas Digitais

Vendas B2B: o que é e como vender para empresas pelo WhatsApp

A diferença entre B2B e B2C, o ciclo de venda, o preço por cliente, o cadastro com CNPJ e como fazer a empresa cliente comprar de novo.

Wellington Santos(atualizado em )14 min de leitura
Representante de distribuidora mostra no celular o catálogo a um chef de restaurante, com caixas do pedido no balcão
Neste artigo
  1. O que é venda B2B?
  2. Qual a diferença entre B2B e B2C?
  3. Como funciona o ciclo de venda B2B?
  4. Por que o preço muda de cliente para cliente?
  5. Que dados pedir no cadastro de um cliente empresa?
  6. Como vender para empresas pelo WhatsApp?
  7. Como fazer o cliente B2B comprar de novo?
  8. Como o Linqui atende vendas B2B?
  9. Perguntas frequentes
  10. Fontes

Vendas B2B (do inglês business to business) são vendas de uma empresa para outra: a indústria que vende para o lojista, a distribuidora que abastece restaurantes, o atacado que atende papelarias. Comparadas às vendas para o consumidor (B2C), têm pedidos maiores, preço que muda de cliente para cliente, cadastro com CNPJ e compra que se repete todo mês.

Este guia é para quem fabrica, distribui ou revende e atende outras empresas pelo WhatsApp. Você vai ver a diferença entre B2B e B2C, como funciona o ciclo de venda, como organizar o preço e o cadastro de cada cliente e como fazer o pedido chegar pronto, sem lista em áudio e print de tela.

Em resumo: B2B é vender para quem vai revender, usar no próprio negócio ou transformar o produto. O cliente é uma empresa, com CNPJ.

O que muda em relação ao B2C: quem decide a compra, o tamanho do pedido, o preço por cliente, o prazo para pagar e a recompra.

No WhatsApp: mande o link de um catálogo em que cada cliente vê o preço dele e envia o pedido pronto, em vez de PDF e lista de preço.

Cuidado com: preço de revenda à vista de qualquer pessoa e prazo liberado para quem você ainda não conferiu.

O que é venda B2B?

Venda B2B é aquela em que quem compra é uma empresa, não uma pessoa comprando para si. A empresa compra por um de três motivos: para revender (a loja que compra sandálias da fábrica), para usar no negócio (o restaurante que compra guardanapo e copo descartável) ou para transformar em outro produto (a padaria que compra farinha). O oposto é o B2C, business to consumer, a venda para o consumidor final.

Alguns exemplos do dia a dia:

  • Indústria para lojista: uma fábrica de calçados de Franca (SP) que vende para lojas de calçados do interior de Minas Gerais e de Goiás.

  • Distribuidora para restaurante: uma distribuidora de alimentos de Belo Horizonte que entrega arroz, óleo e descartáveis para restaurantes, lanchonetes e hotéis.

  • Atacado para comércio de bairro: um atacado de papelaria de São Paulo que abastece papelarias e escolas particulares.

Vender para empresa pela internet já é comum. Na pesquisa TIC Empresas 2025, do Cetic.br, 45% das empresas brasileiras com 10 ou mais pessoas ocupadas que venderam pela internet venderam para outras empresas; na indústria de transformação, foram 50% (TIC Empresas 2025, tabela E8).

O atacado é a forma mais comum de B2B para quem vende produto, com pedido mínimo e preço por quantidade. Essas duas regras estão em detalhe no guia de como vender no atacado, com pedido mínimo e faixas de preço; aqui o assunto é o resto da relação com o cliente empresa.

Qual a diferença entre B2B e B2C?

A diferença está em quem compra e no que essa pessoa precisa de você. O consumidor compra para ele, uma vez, pelo preço da vitrine. A empresa compra para ganhar dinheiro com o produto, volta a comprar e quer condições que façam a conta dela fechar.

PontoB2C (consumidor)B2B (empresa)
Quem compraA pessoa, para uso próprioUma empresa, para revender, usar ou transformar
Quem decideQuem vai usarO dono, ou um comprador que presta contas a alguém
PedidoUma ou poucas unidadesGrade, caixa, fardo; várias referências por pedido
PreçoO mesmo para todosMuda com o volume, a região, o prazo e o cliente
CadastroNome e telefoneCNPJ, razão social, endereço de entrega e quem compra
PagamentoÀ vista: Pix, cartãoÀ vista com desconto ou a prazo, por boleto
FrequênciaCompra quando precisaRepõe todo mês ou toda estação
Nota fiscal e regrasCódigo de Defesa do ConsumidorNota fiscal para empresa e condições combinadas entre as partes

Muita empresa faz os dois. A fábrica de Franca pode vender para lojistas e ter uma loja no Instagram para o consumidor. Nesse caso, o cuidado é não deixar o consumidor ver o preço de revenda: se a cliente da loja de Uberaba descobre que a sandália sai pela metade no seu catálogo, o lojista perde a venda e você perde o lojista. Os prós e contras de separar os públicos estão em vários catálogos ou catálogo único.

Como funciona o ciclo de venda B2B?

O ciclo de venda B2B vai do primeiro contato até a reposição, e não termina no primeiro pedido. Veja o caminho da fábrica de calçados com uma loja nova de Uberaba (MG):

  1. Primeiro contato. A dona da loja conheceu a marca numa feira do setor, por indicação de outra lojista ou pelo representante da região.

  2. Cadastro. A loja manda CNPJ, razão social e endereço. A fábrica confere a empresa na Receita antes de mostrar o preço de revenda e de falar em prazo.

  3. Apresentação. A lojista recebe o catálogo com fotos, numeração disponível e o preço da tabela dela, mais as condições: pedido mínimo, prazo e frete.

  4. Primeiro pedido. Costuma ser menor, para testar se os modelos giram na cidade. Com cliente novo, o mais seguro é à vista ou com entrada.

  5. Entrega e nota fiscal. A mercadoria chega com a nota, a loja confere e, se for o caso, pede troca de numeração.

  6. Reposição. Se a sandália vendeu, a lojista volta para repor e acrescentar modelos. É aqui que a venda B2B dá dinheiro.

O tempo de cada etapa depende de quantas pessoas decidem. Na loja de Uberaba, a dona escolhe e paga numa conversa. Numa rede de restaurantes, o comprador cota, o chef aprova a qualidade e o financeiro libera o pagamento, e um pedido pode levar semanas. Quanto mais gente aprova, mais ajuda mandar algo que a pessoa repassa inteiro, como o link de um catálogo, em vez de vinte fotos soltas na conversa.

Por que o preço muda de cliente para cliente?

Porque atender cada cliente custa diferente para você. Os motivos mais comuns para ter mais de um preço:

  • Volume: quem compra 200 pares por mês paga menos por par que quem compra 24.

  • Região: se o frete é por sua conta, entregar em Goiânia custa mais que entregar em Ribeirão Preto.

  • Prazo: vender para pagar em 30 dias custa o dinheiro parado e o risco de não receber.

  • Tipo de cliente: o lojista que revende precisa de margem; o restaurante que usa o produto compara com o preço do mercado.

O erro comum é negociar o preço de cada cliente na conversa. Dois lojistas da mesma cidade descobrem que pagam valores diferentes pelo mesmo produto, e você passa a ter vinte preços que ninguém lembra. O que funciona é agrupar os clientes em poucas tabelas (varejo, atacado, especial, ou uma por região) e mostrar a cada um só a dele.

Para calcular cada preço a partir do custo, use o markup para chegar ao preço de venda; para organizar as tabelas antes de levar para o catálogo, o modelo de tabela de preço para atacado e varejo tem uma planilha para baixar.

Que dados pedir no cadastro de um cliente empresa?

Peça o que você precisa para emitir a nota, entregar e decidir o preço e o prazo. Nada além disso:

  • CNPJ e razão social: para a nota fiscal e para conferir se a empresa existe e está ativa.

  • Inscrição estadual, se a empresa tiver: o seu contador diz quando ela precisa ir na nota.

  • Endereço de entrega: às vezes diferente do endereço da empresa, como o depósito da loja.

  • Nome e WhatsApp de quem compra: nem sempre é o dono; é com essa pessoa que você vai falar todo mês.

  • E-mail para nota e boleto: muitas vezes é o do escritório de contabilidade ou do financeiro.

Antes de liberar preço de revenda e prazo, confira o CNPJ na consulta gratuita da Receita Federal no gov.br. Ela mostra a situação cadastral, o endereço e a atividade principal. Se a "loja de calçados" está inativa, ou se a atividade não tem nada a ver com o que ela diz vender, pergunte antes de seguir.

Do seu lado, venda para empresa pede nota fiscal. Até o MEI, que não precisa emitir nota para o consumidor pessoa física, é obrigado a emitir quando o comprador é uma empresa, a não ser que ela emita a nota de entrada (gov.br, com base na Resolução CGSN 140/2018). Para o seu caso, quem confirma é o contador.

Como vender para empresas pelo WhatsApp?

O WhatsApp já é o canal de venda on-line mais usado pelas empresas brasileiras. Na TIC Empresas 2025, 79% das empresas que venderam pela internet usaram mensagens de WhatsApp, Skype ou chat do Facebook para vender, contra 32% que usaram o site próprio; na indústria de transformação, as mensagens chegaram a 84% (TIC Empresas 2025, tabela E2C).

O problema não é o canal, é o formato do pedido. A compradora da loja de Uberaba escreve assim:

"Bom dia! Aqui é a Carla da Bom Passo, de Uberaba. Me manda a 3412 preta do 34 ao 39, duas de cada, e a 2210 caramelo igual. Quanto fica?"

Do outro lado, alguém procura o preço da tabela dela, digita a grade, confere o estoque e devolve o total. Se essa pessoa errar a numeração ou esquecer a caramelo, o erro só aparece quando a caixa chega. Quatro hábitos evitam isso:

  • Mande um link, não um PDF. O PDF fica velho no dia em que o preço muda e mostra o mesmo preço para todo mundo. O link abre sempre a versão atual, com o preço da tabela de quem entrou. O PDF ainda serve para feira e para quem pede arquivo, como explica o guia de catálogo em PDF e quando usar o online.

  • Feche o preço para quem não é cliente. O catálogo de revenda pode ficar aberto como vitrine, com o preço só para quem tem cadastro (e, se você quiser, só para cadastro aprovado).

  • Peça o pedido por escrito e completo. Itens, numeração ou cor, quantidades, condição de pagamento e total na mesma mensagem, que vira o registro do que foi combinado.

  • Use o mesmo link na equipe. Se você vende com representante comercial ou vendedor interno, todos mandam o mesmo catálogo e o pedido chega no mesmo formato.

Como fazer o cliente B2B comprar de novo?

Lembre o cliente antes de o estoque dele acabar, com o pedido anterior à mão. A conta mostra por que vale o esforço: uma loja que repõe R$ 1.500 por mês compra R$ 18.000 em um ano. É esse valor, não o do primeiro pedido, que paga o trabalho de conquistar o cliente.

  • Saiba o ritmo de cada cliente. Pelo histórico de pedidos, veja quem compra a cada 30 dias, a cada 45 ou só na troca de estação, e quem passou do prazo.

  • Mande a reposição com o link. Por exemplo: "Oi, Carla! Faz 35 dias do último pedido da 3412. Chegou a grade nova do 34 ao 39. O catálogo com o seu preço está aqui: [link]".

  • Mostre o lançamento primeiro para quem compra sempre. O cliente fiel recebe antes, e você testa a aceitação do modelo antes de abrir para todos.

  • Melhore a condição de quem paga em dia. Prazo a partir da segunda ou terceira compra, ou um desconto no Pix à vista, premia quem volta.

Como o Linqui atende vendas B2B?

No Linqui, que é o catálogo para WhatsApp que a gente desenvolve, o cliente empresa se cadastra com CNPJ, você aprova, ele vê o preço da tabela que vale para ele e envia o pedido pronto para o seu WhatsApp. O pagamento você combina na conversa. Com a fábrica de calçados do exemplo:

  1. Aceite só cadastro de empresa. Em Configurações, Cadastro de clientes, ligue "Exigir aprovação manual" e, em "Tipos de pessoa aceitos", deixe só Pessoa Jurídica. O formulário do catálogo passa a pedir CNPJ, que é conferido pelo dígito verificador, e razão social.

    Configurações de cadastro de clientes no painel do Linqui com aprovação manual ligada e só pessoa jurídica aceita

    Com a aprovação manual ligada e só pessoa jurídica aceita, todo cadastro novo chega com CNPJ e fica pendente até você aprovar.

  2. Feche o preço no catálogo de revenda. Em Catálogos, nas configurações do catálogo, "Exibir preços apenas com cadastro" esconde o preço de quem não entrou com a conta; quem se cadastrou e ainda espera aprovação já vê o preço, mas só envia pedido depois de aprovado. Se nem o preço pode aparecer antes de você conferir o CNPJ, ligue "Apenas com cadastro ativo", em Acesso ao catálogo: aí só cliente aprovado entra.

  3. Aprove em Contatos. O cadastro novo chega pendente. Confira o CNPJ na Receita, clique em Aprovar e o cliente recebe um e-mail avisando.

    Cadastro de cliente pessoa jurídica pendente no painel do Linqui, com razão social, CNPJ e os botões Aprovar e Reprovar

    O cadastro da loja chega pendente; depois de conferir o CNPJ (borrado no exemplo), você clica em Aprovar e o cliente recebe a resposta por e-mail.

  4. Crie as tabelas em Aplicativos, Tabela de preços. Em "Para quem vale", marque Somente clientes cadastrados e, se a tabela for só para empresas, Pessoa jurídica; para preço por região, use o filtro de UF. Para um grupo com preço próprio, como as redes de restaurantes, monte um catálogo só para ele e escolha esse catálogo em "Onde vale".

  5. Cadastre as condições de pagamento. Em Configurações, Pagamento, crie condições como "Pix à vista", com desconto, e "Boleto 28 dias". O cliente escolhe no carrinho e a condição vai na mensagem do pedido.

  6. Mande o link para os lojistas. O pedido chega no WhatsApp com itens, numeração, quantidades, condição de pagamento e total, e fica salvo em Pedidos e no histórico do cliente em Contatos, que é onde você vê o ritmo de recompra.

Na comparação de planos do site, o cadastro obrigatório para ver preço e enviar pedido está em todos os planos; Tabelas de preços, Pedido mínimo e Representantes aparecem no plano Scale, e a equipe de vendedores a partir do Pro (planos e preços). O passo a passo de cada tela está na ajuda de Contatos e da Tabela de preços. Para ver com os seus produtos, crie seu catálogo e teste grátis por 7 dias.

Perguntas frequentes

O que é B2B e B2C?

B2B (business to business) é a venda de uma empresa para outra, como a indústria que vende para o lojista ou a distribuidora que abastece restaurantes. B2C (business to consumer) é a venda para o consumidor final, que compra para uso próprio. No B2B os pedidos são maiores, o preço muda por cliente e a compra se repete.

Quais são exemplos de vendas B2B?

Uma fábrica de calçados que vende para lojas de calçados, uma distribuidora de alimentos que entrega para restaurantes, um atacado de papelaria que abastece papelarias, um fornecedor de embalagens que atende confeitarias e uma confecção que vende para boutiques. Em todos, quem compra é uma empresa que vai revender, usar no negócio ou transformar o produto.

Preciso de CNPJ para vender B2B?

Na prática, sim: venda para empresa pede nota fiscal, e para emitir nota você precisa ter empresa aberta. O MEI pode vender para empresas e, segundo o gov.br, é obrigado a emitir nota quando o comprador é pessoa jurídica, a não ser que ela emita a nota de entrada. Confirme com o seu contador como emitir no seu caso.

Venda B2B segue o Código de Defesa do Consumidor?

Em regra, não. O Código de Defesa do Consumidor protege quem compra como destinatário final (art. 2º da Lei 8.078/1990), e a empresa que compra para revender normalmente não está nessa posição. Entre empresas, valem a nota fiscal e as condições combinadas, como prazo, frete e troca. Há exceções; para contrato e cobrança, ouça um advogado.

Qual a diferença entre vendas B2B e atacado?

Atacado é um tipo de venda B2B: vender produto em quantidade, com preço menor por unidade e pedido mínimo, para quem vai revender ou usar no negócio. B2B é mais amplo e inclui serviços, insumos para a indústria e vendas sob encomenda. Toda venda no atacado é B2B, mas nem toda venda B2B é atacado.

Fontes

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